Género e pedagogia: Rapazes e raparigas aprendem da mesma forma? O que dizem a ciência e a evidência

País:Argentina
Médio:Iguales y Diferentes

Gabriela Martino analisa as diferenças de aprendizagem entre meninos e meninas num Online Educational Workshop da Iguales y Diferentes

Género e pedagogia: Rapazes e raparigas aprendem da mesma forma? O que dizem a ciência e a evidência
Género e pedagogia

Será que o sexo dos alunos influencia a forma como aprendem? Existem diferenças nos ritmos de maturação, na atenção ou na participação na sala de aula? Estas foram algumas das questões abordadas pela educadora Gabriela Martino durante o Online Educational Workshop “When Speaking about Pedagogy, Does Gender Matter?”, organizado pela Iguales y Diferentes para os seus parceiros internacionais.

A partir de investigações desenvolvidas durante as últimas décadas e da experiência acumulada por numerosos educadores, Martino examinou como as diferenças biológicas, cognitivas e sociais entre rapazes e raparigas podem ter implicações relevantes para a prática docente.

Baseando-se nas contribuições de especialistas como Carol Ann Tomlinson, Abigail James e Leonard Sax, a oradora defendeu a importância de um ensino capaz de responder à diversidade dos alunos, incluindo as diferenças relacionadas com o sexo.

Da educação diferenciada aos ambientes coeducativos

Durante a sessão, Martino ofereceu uma perspetiva histórica sobre a evolução dos modelos educativos, desde as escolas diferenciadas até à expansão dos sistemas coeducativos.

Segundo explicou, o debate contemporâneo sobre educação vai além das questões ideológicas e apoia-se cada vez mais em investigações sobre desenvolvimento cognitivo, neurociência, psicologia evolutiva e aprendizagem.

A pergunta central não é se rapazes e raparigas são iguais, mas sim como determinadas diferenças podem influenciar a forma como participam, processam a informação e respondem a diferentes métodos de ensino.

A experiência de uma professora perante uma sala de aula mista

Um dos momentos mais ilustrativos do encontro foi o relato da própria experiência profissional de Martino ao passar de um colégio exclusivamente feminino para um ambiente coeducativo.

A incorporação de alunos do sexo masculino, explicou, obrigou-a a repensar parte das suas estratégias pedagógicas e a observar com mais atenção os diferentes modos de aprendizagem presentes na sala de aula.

“Essa mudança levou-me a fazer perguntas que nunca antes tinha colocado como docente”, assinalou durante a sessão.

Diferenças que os professores encontram na sala de aula

Entre os aspetos analisados durante o workshop figuraram:

  • Os diferentes ritmos de maturação entre rapazes e raparigas.
  • A influência de fatores biológicos na atenção e no comportamento.
  • Diferenças nos processos de raciocínio e comunicação.
  • Diferentes preferências metodológicas e formas de participação.

Martino explicou que diversos estudos identificaram tendências gerais segundo as quais muitos meninos respondem positivamente a atividades mais visuais, práticas e dinâmicas, enquanto muitas meninas costumam sentir-se confortáveis em ambientes mais cooperativos e focados na comunicação verbal.

No entanto, sublinhou que estas observações descrevem tendências estatísticas e não determinam o comportamento individual de cada estudante.

Rumo a uma pedagogia mais personalizada

Uma das mensagens centrais do Online Educational Workshop foi a necessidade de os docentes disporem de ferramentas suficientemente flexíveis para se adaptarem à diversidade real dos alunos.

Mais do que rotular os estudantes, afirmou Martino, o objetivo consiste em compreender melhor as suas necessidades para favorecer tanto a aprendizagem como o bem-estar emocional.

Desta perspetiva, uma pedagogia sensível às diferenças pode contribuir para reduzir frustrações, melhorar a participação e potenciar o desenvolvimento de cada aluno.

Um debate aberto baseado na evidência

A sessão terminou com uma troca de perguntas e experiências entre participantes de diferentes países, que abordaram questões relacionadas com a socialização, a convivência e o desenvolvimento de competências pessoais em diferentes contextos educativos.

Este encontro faz parte dos Online Educational Workshops da Iguales y Diferentes, uma iniciativa exclusiva para parceiros que reúne periodicamente especialistas internacionais para analisar questões educativas a partir de uma perspetiva rigorosa, baseada na evidência e aberta ao diálogo.

A sessão com Gabriela Martino colocou sobre a mesa uma questão que continua a despertar interesse entre investigadores e educadores de todo o mundo: compreender melhor como aprendem rapazes e raparigas para ajudar cada estudante a desenvolver plenamente o seu potencial.

Iguales y Diferentes – Nova Educação Diferenciada

A Iguales y Diferentes, Equal and Different, é uma associação promovida por famílias, ex-alunos e professores que têm como objetivo promover o pluralismo educativo, através da difusão e do apoio ao modelo de educação diferenciada por sexos em condições de igualdade, nos âmbitos nacional e internacional.

Na Iguales y Diferentes, procuramos dar resposta à singularidade de cada pessoa, superar os estereótipos de género, reduzir o insucesso escolar e avançar na equidade educativa.

iguales y diferentes

—————————————– 

Fonte:

Compartilhar!