Nova educação diferenciada em debate

País:España
Médio:ABC

Na segunda-feira, 5 de fevereiro, Miguel Dionis, cofundador da Iguais e Diferentes, realizou um debate com Gabriel Castellano, Presidente da Asociación de Colegios Privados e Independientes (CICAE), no jornal ABC. O ABC é um dos três jornais mais lidos em Espanha.

Um debate necessário sobre a educação diferenciada

Nova Educação Diferenciada em debate. “Há gerações inteiras no nosso país que cresceram em salas de aula diferenciadas por género. No entanto, hoje em dia, em Espanha, há apenas uma centena de escolas que separam rapazes e raparigas, menos de um por cento do total”. Assim começa a reportagem do jornal ABC, na qual Miguel Dionis participou em nome da Iguales y Diferentes.

A conversa foi construtiva e amigável. Ambos estabeleceram pontes de colaboração e insistiram no direito das famílias a escolherem a educação dos seus filhos.

Vários especialistas discutem os méritos e as insuficiências dos modelos de ensino misto e diferenciado. Os argumentos sobre a socialização, os estereótipos e os resultados académicos mostram diferentes pontos de vista, embora todos concordem com a liberdade de escolha das famílias. Uma liberdade que é ameaçada pela legislação atual e pela crescente desinformação sobre a nova educação diferenciada do século XXI.

Atrasos académicos que podem ser melhorados

Miguel Dionis, professor e membro da Comissão Diretiva da IBSC (International Boy’s Schools Coalition), iniciou o debate afirmando que não defende que um modelo seja melhor do que o outro e defendeu que algumas “ineficiências poderiam ser resolvidas se tivéssemos salas de aula separadas para rapazes e raparigas”. E lembrou que no ensino primário e secundário (e devido às diferentes taxas de maturação) a diferença entre homens e mulheres é notória: os homens têm um ano de atraso académico em relação às mulheres, sobretudo na leitura e na escrita, que é a base da aprendizagem. Estes são dados do PISA: “Noutros países estamos a ver como este modelo reduz o insucesso escolar masculino e favorece a incorporação das mulheres nas carreiras STEM (engenharia, matemática…)”.

Entre as 20 melhores escolas em termos académicos em Inglaterra, no País de Gales e na Irlanda do Norte, 16 são escolas de Nova Educação Diferenciada.

O jornal ABC pediu a opinião de José Manuel Lacasa, investigador em educação à frente do IFIE (Instituto de Formação e Investigação Educativa), que constatou, ao analisar os dados do PISA há algum tempo, que, aos 15 anos, as raparigas das escolas separadas estavam um ano à frente em Matemática em comparação com as raparigas das escolas mistas (e depois de subtraído o ISEC, o índice socioeconómico e cultural).

Esta capacidade da educação diferenciada para contribuir para a melhoria dos resultados académicos é clara, segundo José María Barrio, doutorado em Filosofia e professor de Antropologia Pedagógica na Universidade Complutense: “Estudei esta questão há 20 anos, analisando os resultados dos dois modelos na Alemanha, e descobri que, se olharmos para o desempenho académico, a opção pela educação diferenciada é clara”.

Clima escolar na adolescência

Ana Roa, coordenadora de Pedagogia e Psicopedagogia no Colegio de Doctores y Licenciados de Madrid, afirma que socialmente o modelo de coeducação é melhor: “os alunos das escolas mistas tendem a ter maior empatia por diferentes grupos de pessoas e a aceitar mais facilmente diferentes formas de ver o mundo, porque aprendem desde o início em salas de aula diversas e inclusivas”.

Em Espanha, explica Lacasa, não é possível realizar estudos comparativos porque a amostra de escolas separadas é muito pequena, mas na Austrália, onde a amostra de escolas separadas é suficientemente válida, verificou-se que na escola separada menos de 1% das alunas tinham sido vítimas de bullying, em comparação com 21% que tinham sido vítimas de bullying na escola mista.

Os pedagogos insistiram no objetivo de que as escolas deveriam ser lugares de paz, de aprendizagem, sem pressões nem estereótipos. Logicamente, com conflitos que eles devem aprender a resolver.

Capacitação de rapazes e raparigas

Miguel Dionis defendeu no debate que em Iguais e Diferentes falamos de uma “nova” educação diferenciada, para a diferenciar daquela que os mais velhos terão tido, em que não havia igualdade de currículo, formação de professores ou orientação profissional. “Na nova educação diferenciada procuramos maximizar as capacidades de rapazes e raparigas”, afirmou, porque é uma educação que personaliza e não segrega.

A melhoria do clima escolar e dos resultados académicos – especialmente nos bairros desfavorecidos – levou-o a propor que a diferenciação também pudesse ser implementada nas escolas públicas, pelo menos em alguns grupos etários ou disciplinas académicas, como fez Hillary Clinton com David Banks. Nestas novas escolas diferenciadas, as taxas de conclusão dos estudos aumentaram de 43% para 90%.

Um debate tristemente ideologizado

Francisco López Rupérez, investigador em política educativa e antigo presidente do Conselho Escolar do Estado, considera que existem preconceitos em torno deste modelo educativo porque “a esquerda política em Espanha adoptou uma posição militante”, como é o caso da Lomloe. No entanto, a Unesco, “uma organização que não é nada suspeita de ser conservadora”, defende que a educação diferenciada não é discriminatória.

Para Miguel Dionis, a educação diferenciada “é um modelo progressista”. No nosso país, diz, fala-se em segregação, um termo pejorativo em si mesmo: “Se perguntarmos às pessoas, elas dizem: ‘Ah, sim, a do meu avô, a do Franco’. Esse é um argumento ultrapassado. Acho que os pais não escolhem livremente, porque não têm informação”, diz.

Segundo Francisco López Rupérez, investigador em política educativa e antigo presidente do Conselho Escolar do Estado, acredita que os dois modelos não só podem, “como devem coexistir”.

Nova Educação Diferenciada em debate: Iguais e Diferentes

Iguais e Diferentes é uma associação promovida por pais, alunos e professores que tem como objetivo promover o pluralismo educativo, através da divulgação e apoio ao modelo de educação diferenciada por género em condições de igualdade, tanto a nível nacional como internacional. Procura responder à singularidade de cada pessoa, ultrapassar os estereótipos de género, reduzir o insucesso escolar e promover aequidade educativa.

O I&D centra a sua ação em três eixos: a promoção da mobilização social de pais e antigos alunos; o diálogo com jornalistas, para melhorar o conhecimento deste modelo educativo e a relação com políticos e actores sociais.

Saiba mais sobre o Iguais e Diferentes aqui.

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