Inger Enkvist (Värmland, Suécia, 1947) é uma das vozes mais respeitadas no panorama educativo internacional e uma crítica contundente da pedagogia atual. Esta hispanista, catedrática de Espanhol na Universidade de Lund, não hesita em apontar as deficiências dos modelos educativos presentes em grande parte do Ocidente.
Educação diferenciada.
Por ocasião da reedição de seu best-seller publicado em 2011, A boa e a má educação, a especialista aproveitou sua visita a Madri para conceder uma longa entrevista ao THE OBJECTIVE sobre os grandes desafios da educação de hoje e de sempre.
Por se tratar de um meio de comunicação espanhol (apesar do nome), Enkvist responde principalmente a perguntas relacionadas com o sistema educativo da Espanha; mas com a sabedoria de quem conhece profundamente muitos sistemas educativos ocidentais.
Na entrevista, surgem temas como o peso da ideologia, o abandono escolar, a formação de professores, a exigência acadêmica, a importância da memória, o uso das tecnologias em sala de aula, a compreensão leitora, a utilidade das provas, o papel da universidade e a educação diferenciada.
Educaçao Single-Sex
“Sou a favor da educação diferenciada como uma opção válida”, afirma Enkvist. “Em média, os meninos amadurecem um ano e meio mais tarde que as meninas. Por isso, muitas vezes acontece que um garoto só começa a pensar no seu futuro educativo e profissional quando já é tarde demais. Isso antes acontecia menos porque os professores tinham mais autoridade e os alunos seguiam um caminho mais definido.”
“Uma forma de superar essas dificuldades é separar meninos e meninas — uma prática que não demonstrou nenhum efeito negativo, especialmente em nossa época, em que os ambientes de lazer são mistos.”
A professora sueca fundamenta suas opiniões com dados irrefutáveis: “Na prova nacional realizada no Reino Unido aos 16 anos, as escolas com os melhores resultados são aquelas de somente meninos ou somente meninas. Portanto, se os resultados são extraordinariamente bons, é difícil sustentar que seja um modelo negativo. O ataque à educação diferenciada é, na verdade, puramente ideológico, não pedagógico.”

Evasão escolar
Enkvist acredita que a escola obrigatória deveria ser reorganizada. “É um tabu dizer isso, mas há jovens que acham a escola inútil, se sentem entediados e precisam de um programa mais adequado ao seu nível e às suas aspirações.” Ela considera que “o sistema atual é do tipo ‘tamanho único’, e isso é negativo tanto para os melhores alunos quanto para os menos interessados.”
Na sua opinião, eliminar um ano da educação obrigatória ajudaria — mas pouco, porque não representa a reforma profunda que realmente é necessária, a qual implicaria um programa diferente, desde muito antes, para os alunos menos inclinados aos estudos.
Formação de professores
As sugestões de Enkvist a esse respeito se baseiam em três elementos: recrutar os melhores estudantes para os cursos de licenciatura, oferecer uma formação com muito conteúdo e menos ideologia, e dar grande importância à prática.
Além disso, podem ser acrescentados cursos complementares de direito (sobre o que é permitido ou não em sala de aula) e de psicologia voltada para jovens e grupos, ou ainda sobre resolução de conflitos, por exemplo.
Memória, Provas e Compreensão leitora
A filóloga e pedagoga sueca também tem opiniões claras sobre outros temas muito debatidos. Defende a importância das provas e propõe a realização de uma ao final do Ensino Fundamental e outra ao final do Ensino Médio, além de reduzir o número de vagas no Ensino Médio e na universidade, compensando com um bom sistema de formação profissional.
Ela reivindica o uso da memória, “porque pensamos com a memória, sem ela não podemos realizar trabalho intelectual. Em cada disciplina existem algumas coisas que precisam ser decoradas (…) para enquadrar e estruturar o campo em questão, para poder avançar.”
Sobre a compreensão leitora, ela afirma que a solução é simples: “é preciso ler mais. Não há atalhos.”
Iguais e Diferentes – A Nova Educaçâo Diferenciada
Iguais e Diferentes, Equal and Different, é uma associação promovida por famílias, ex-alunos e professores que tem como objetivo promover o pluralismo educativo, por meio da divulgação e apoio ao modelo de educação diferenciada por sexos em condições de igualdade, nos âmbitos nacional e internacional.
Na Iguais e Diferentes buscamos responder à singularidade de cada pessoa, superar os estereótipos de gênero, reduzir a evasão escolar e avançar na equidade educacional.
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Fuente:
Una experta mundial en educación: «Las universidades deberían tener menos alumnos», The Objective, 31 de marzo de 2025