No evento organizado por Iguais y Diferentes, no CaixaForum Macaya, Miguel Dionis (cofundador de Iguais e Diferentes), Letícia Araújo (gerente de projetos educacionais), Dr. Manuel Gurpegui (professor de Psiquiatria) e Ignacio Elías (analista de negócios) debateram sobre os avanços e desafios do modelo da Nova Educação Diferenciada. A moderadora da mesa-redonda foi a jornalista Núria Ramírez.
Apresentação do think tank Iguales y Diferentes e o estado da Nova Educação Diferenciada em 2024.
Em primeiro lugar, Miguel Dionis, cofundador de Iguales y Diferentes, explicou o que é a instituição. Uma associação promovida por pais, professores e antigos alunos cujo objetivo é fomentar o pluralismo educacional por meio da difusão e apoio ao modelo de Nova Educação Diferenciada (single-sex) em condições de igualdade, tanto a nível nacional quanto internacional.
Dando continuidade, Miguel apresentou o “Estado da Nova Educação Diferenciada em 2024”, destacando que a disparidade de gênero ainda está presente na educação, como indicam os dados das provas PISA. No entanto, ressaltou a esperança de poder ajudar meninas e meninos a alcançar um melhor desenvolvimento. Apresentou os resultados do Certificado Geral de Educação Secundária (GCSE) no Reino Unido, onde 16 das 20 melhores escolas aplicam o modelo de Nova Educação Diferenciada. Concluiu expressando que este modelo educacional está implementado em todo o mundo e está aberto a todos, independentemente de seu nível socioeconômico, ideias políticas ou religião.
Caso de Estudo: The Eagle Academy
O evento destacou o fenômeno da The Eagle Academy, um conjunto de escolas públicas single-sex na cidade de Nova York. Essas escolas aumentaram sua taxa de aprovação no ensino médio de 43% para 89% em seus primeiros anos de funcionamento. The Eagle Academy foi fundada por David Banks, com o apoio de Hillary Clinton. Foi exibido o trailer do documentário “The Infamous Future: The Untold Story of New York City’s Eagle Academy”, da HBO, dirigido por Richard Butterworth e estreado em 2021.
Mesa Redonda
A mesa redonda foi um dos momentos mais altos do evento. Moderada por Núria Ramírez, jornalista e apresentadora de eventos, a discussão foi reflexiva e profunda. Entrelaçou o conhecimento científico do Dr. Manuel Gurpegui, catedrático de Psiquiatria vindo de Granada, com a realidade social vivida por Letícia Araújo em São Paulo, junto com o dinamismo de Ignacio Elías, analista de negócios na Monitor Deloitte e fundador da startup Calmbox.
Diante da pergunta sobre se a Nova Educação Diferenciada é segregadora, Letícia respondeu: “Segregadora no sentido social ou político de discriminar homens e mulheres, de manter suas funções sociais tradicionais que alguns chamam de patriarcado, etc…? Não. O que observo é uma preocupação muito honesta com a falta de socialização de meninos e meninas. Se essa preocupação é real, deve ser trabalhada por todos os modelos educacionais, incluindo a Nova Educação Diferenciada, e cuidada no seio familiar.”
Por outro lado, Ignacio Elías explicou como a Nova Educação Diferenciada o ajudou a desenvolver sua criatividade e adentrar em projetos de inovação tecnológica. Ele também destacou que esse modelo pedagógico ajuda os alunos com necessidades especiais, pois oferece “maior concentração nas necessidades individuais.”
Por fim, destacamos as declarações do Dr. Manuel Gurpegui, que ao falar sobre o modelo da Nova Educação Diferenciada declarou que “muitas ideias preconceituosas não são verdadeiras.” O Dr. Gurpegui trouxe ao debate vários estudos que ressaltam que a educação diferenciada tem eficácia acadêmica, mas que são necessários novos estudos para conhecer o impacto desse modelo pedagógico na saúde mental dos alunos. Toda a mesa redonda se desenvolveu em um clima de respeito pelos outros modelos educacionais, que são igualmente legítimos em relação à Nova Educação Diferenciada.
Apresentações e Lançamento do EQUAL TALKS
Letícia Araújo, gerente de projetos educacionais no ISEP e promotora do Colégio Caminhos e Colinas em São Paulo (Brasil), ofereceu uma apresentação intitulada “Educação Diferenciada no coração de São Paulo”, compartilhando sua experiência direta na implementação desse modelo educacional nas favelas da metrópole brasileira.
A escola está em funcionamento há 5 anos e conta com mais de 1.000 alunos. É uma única escola, mas com duas unidades educativas diferentes: uma para meninos e outra para meninas. Ela contou histórias de crescimento pessoal e melhoria da autoestima entre adolescentes e jovens do bairro. “O Colégio está situado nas periferias de São Paulo, no Jardim Itapura, um bairro socialmente vulnerável. Aqui, são frequentes os casos de gravidez na adolescência, assim como altos índices de criminalidade. Portanto, as famílias valorizam muito a escola. Elas valorizam a escola porque sabem que suas filhas estão em um ambiente onde são respeitadas, e as meninas saem fortalecidas.”
O evento concluiu com a apresentação das EQUAL TALKS, grupos no LinkedIn para AMPAS (Associações de Pais), Associações Alumni e especialistas em cinco diferentes áreas. Esses grupos são um espaço para compartilhar novidades, contatos e conselhos, exclusivos para os sócios de Iguales y Diferentes:
- Med: Compartilhe impressões e reflexões com especialistas em saúde.
- Legal: Atualize-se sobre novidades legais no campo da educação.
- Edu: Renove seu modelo pedagógico e compartilhe com outros.
- Social: Melhore o impacto social da sua AMPA ou Alumni.
- Management: Tire dúvidas sobre questões organizacionais.
BE DIFFERENT 2024: A Nova Educação Diferenciada no coração de São Paulo | Iguales y Diferentes | Equal and Different
Iguais e Diferentes, Equal and Different, é um think tank promovido por pais, alumni e professores que tem como objetivo promover o pluralismo educacional, através da difusão e apoio ao modelo de educação diferenciada por sexo em condições de igualdade, nos âmbitos nacional e internacional. Busca responder à singularidade de cada pessoa, superar os estereótipos de gênero, reduzir o fracasso escolar e avançar na equidade educacional.
I&D foca sua ação em torno de três eixos: promover a mobilização social de pais e antigos alunos; a interlocução com jornalistas, para melhorar o conhecimento sobre esse modelo educacional e a relação com políticos e atores sociais.
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